A conversão e a vida simples
A conversão é um ato de Deus na vida daquele que em Cristo
foi eleito. Um chamado irresistível que culmina na transformação de valores,
interesses e objetivos. A conversão gera na vida do salvo um desejo alegre em
submeter-se a vontade de Deus. É uma revolução interior, o nascer do desejo em
proceder semelhantemente a Cristo.
Ao olharmos para os primeiros cristãos nos deparamos com a
essência desta conversão. Eles demonstram uma mudança radical em seu estilo de vida.
Agora suas vidas eram para os outros. A vida simples era evidente e dividir se
tornou algo natural e comum.
O convertido segue a lei do amor que transforma a satisfação
pessoal dependente da realização e do bem estar do próximo. Isto por entender
que na cosmovisão do reino de Deus, todos são corpo ou edifício, no qual um
depende do outro.
O convertido a exemplo de Jesus, compreende sua responsabilidade
em ser agente de justiça no seu contexto
e combater as práticas e hábitos opressores. E nesta luta ele se envolve com o
necessitado e oprimido, assim como seu mestre demonstrou. Para o convertido,
ter conforto e ter além do necessário não combina com a vida daquele que diz
estar convertido a Deus.
Ao que parece nos dias atuais esta conversão bíblica está
cada vez mais escassa. As igrejas estão lotadas, os templos cada vez mais
luxuosos, pastores recebendo cada vez mais e nossas ruas com mais andarilhos,
famintos e famílias a beira da miséria.
Se nossa paróquia é o mundo como disse J. Wesley; estamos
cuidando muito mal dos membros desta enorme igreja.
Cada vez mais crentes, sejam tradicionais ou pentecostais
estão a procura dos seus próprios interesses, objetivos e valores. Basta olharmos
as músicas mais tocadas nas igrejas. Uma mensagem egoísta, avarenta e diabólica
tem tomado conta de púlpitos e cânticos.
Fico a pensar se deste enorme número de crentes, quantos
realmente se converteram a Cristo, quantos passaram pela cruz, quantos amam a Deus mais do que a si
mesmos, mais do que seus bens, mais do que suas famílias.
Pregamos a paz e a alegria em Cristo, mas o que se vê é a incessante
busca por parte dos cristãos, de paz e alegria no próprio bem estar e conforto.
Esquecemos-nos que nosso prazer precisa estar na vontade de Deus, em amá-lo
acima de tudo e todos e amar ao próximo, ou seja, fazer pelo próximo ao invés
de fazer para você.
Onde estão os convertidos?
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